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O Irlandês e a (interessante) vida de um capanga

Um filme maravilhoso, mas um pouco cansativo: Este é “O Irlandês”, novo filme de Martin Scorsese para a Netflix!

Quando comecei a ver as primeiras notícias sobre este filme, eu fiquei pensando em outras obras, de Martin Scorsese, que eu já tenha visto. Acabei me lembrando que este é apenas o segundo filme dele, que eu vejo e que me recordo de ser dele, e que o anterior havia sido O Lobo de Wall Street. Logo, eu também não tinha o menor conhecimento prévio, de um filme sobre máfia, dirigido por ele. Posso dizer que, para uma primeira vez, foi uma experiência interessante.

O Irlandês é baseado no livre “O Irlandês: Os Crimes de Frank Sheeran a Serviço da Máfia” (“I Heard You Paint Houses“, de Charles Brandt), de conta a história de Frank “O Irlandês” Sheerman, aqui interpretado por Robert De Niro, um homem que era um caminhoneiro, transportando carne – e roubando algumas para vender, até se tornar uma peça importante, dentro da máfia italiana que atua nos Estados Unidos, onde ele presenciou a mudança de rumo de pessoas, eleições, sendo ele o principal agende dessa mudança ou não. Vemos ele, velho, contando suas histórias de quando era mais novo. Aqui, já começa um dos pontos mais interessantes do filme.

Para contar a história de Frank jovem, não usaram-se de outro ator, para interpretá-lo. Rejuvenesceu-se o rosto do próprio Robert e de outros, e o resultado ficou um misto de trabalho bem-feito e estranheza, em alguns personagens. Não pecou pelo bizarro, mas digamos que quem está acostumado a ver De Niro e companhia como homens de idade, vão ter dificuldades de pegar aquelas cenas como críveis, mais tão cedo esse detalhe passa, e tudo aquilo começa a soar natural.

A direção é intensa, em certos momentos, mas inconstante. Em dados momentos, você tem uma ação frenética, instigante, onde várias coisas acontecem em questão de segundos; enquanto em outros momentos, a ação fica mais esparsa, mais calma, mas continua a instigar os mais ficionados a este estilo de filme.

O filme é bom, mas a duração é um problema

Pena que eu não sou um desses. A duração de 3h30 do filme, me impossibilitou vê-lo de uma só vez. Muito embora ele seja um ótimo filme, é também cansativo. Me fez mais sentido ainda uma ideia, que apareceu no Twitter, de assistir “O Irlandês” como uma minissérie em quatro partes. Aliás, recomendo assim, se você não tiver a paciência para algo tão longo.

Apesar disso, percebe o bom trabalho de Scorsese em dirigir, além do bom trabalho de De Niro ao atuar. Como, nessa história, ele é um peão, em vários momentos o protagonismo não é dele – e nem teria como ser. É bem fácil perder-se na aura de Joe Pesci como Russel Buffalino, ou Al Pacino como Jimmy Hoffa. Mas, quando o roteiro requere, De Niro volta ao protagonismo, como se ele apenas tivesse emprestado o seu posto, não o abandonado.

Não vou estragar o final para ninguém, mas logo de cara você já percebe que o filme é a história de um homem velho hoje, contando suas ações no passado, e como elas o levaram para a situação onde se encontra. A melhor leitura que poderia ser feita dessa situação, é que suas ações sempre terão consequências.

Por fim, ficou-me a sensação de que este filme será muito melhor aproveitado, por quem gosta muito de filmes de máfia, ou por fãs de Scorsese. Para todos os outros, ficará uma boa experiência de cinema, mas também a sensação de que ele é mais um filme para ir concorrer a prêmios – merecidamente. Cada um têm a sua leitura do filme, afinal.

O filme está disponível na Netflix. Se você tiver alguma sugestão de conteúdo para a NerdMachina, entre em contato.