Filmes

Por um punhado de dólares – Não estou fazendo nada… Vou arrumar briga!

Um homem, sem nome, chega a uma pequena cidade dominada por duas famílias que reinam no crime. O que é o mais inteligente a fazer? Arrumar briga, é claro!

Já fazia algum tempo que eu vinha procrastinando para assistir a algum filme de faroeste. Aliás, ainda estou procrastinando bastante coisa, mas ao menos uma delas eu já pude riscar da minha lista. Ouvia muito falar sobre os filmes do tal “pistoleiro sem nome”, uma trilogia de velho-oeste começado em Por um Punhado de Dólares, de 1964, Por uns Dólares a Mais, de 1965, e terminando em Três Homens em Conflito, de 1966. Todos eles estrelados por Clint Eastwood e dirigidos por Sergio Leonne. Todos grandes clássicos do chamado Spaghetti Western, gênero derivado do faroeste americano, que tem por característica terem sido rodados… Na Itália.

Então, nos próximos três domingos, irei escrever sobre cada um desses filmes. Ou, pelo menos, tentar. A começar pelo começo.

O filme é deveras interessante. A começar pelas vozes. Um dos processos de filmagem na Itália, na época, era filmar sem áudio. As vozes eram adicionadas, em estúdio, tal como em uma dublagem. O que pode deixar as coisas meio estranhas, se você for detalhista e começar a notar que as vozes, mesmo em inglês, não se encaixam no que os atores parecem dizer.

Protagonista com pinta de herói

Tirando isso, toda a saga do protagonista é fantástica. Forasteiro, acaba por chegar em San Miguel para arrumar briga com as duas famílias que comandam a pequeníssima cidade de uma rua só. E, apesar de completamente ferido e se arrastar pelo chão de tanta dor, consegue subir um barril, grande o suficiente para matar duas pessoas, por uma inclinação realmente difícil, em prol do seu plano de fuga.

Eu não sei se assisti o filme corretamente. Alguns dos personagens, como o dono da taverna local, diz que ambas as famílias, os Baxters e os Rojos, são altamente perigosas. Porém, eu tive o sentimento de que os Rojos eram o cão-chupando-manga naquela terra. Principalmente depois da emboscada que eles armam para cima dos oficiais do exército mexicano. Porém, isso pode ser apenas um reflexo do pouco tempo de tela que os Baxters tem para mostrar o que realmente são.

Mas, não contente em arrumar briga com as duas famílias, o protagonista ainda arruma tempo para ajudar a bela Marisol, capturada por um dos Rojos como troféu de um jogo, a fugir do seu cárcere. Ela, o filho e o marido, que são peças num jogo perverso de Ramón Rojo.

Apesar de altamente datado para 2020, o filme ainda mostra bastante qualidade. Não só pela forma como foi filmado – cristalizando os métodos do anos 60 em um lugar muito distante de Hollywood – como também pela plataforma de lançamento de Clint Eastwood para maiores projetos posteriores.

O velho-oeste americano, na visão dos italianos, era bem gostoso de ver.