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Coringa e os filmes adultos de quadrinhos

Um filme de estudo de personagem, protagonizado pelo maior vilão de Batman. Essa é a ideia para um dos filmes mais diferentes da DC.

Eis que o ano era 2019. Todos aqueles que gostam do universo DC estava ansiosos pelo primeiro filme solo do Coringa, o maior vilão de Batman. Todos se perguntando se um filme de vilão, classificado como R nos Estados Unidos, algo como +18 no Brasil, poderia se dar bem nas bilheterias. Para a surpresa geral, deu tão certo que é o terceiro filme que mais arrecadou na DC, perdendo apenas para Cavaleiro das Trevas e Aquaman, e é o filme de classificação +18 mais bem sucedido de toda a história. Mas o que ele tem de especial? Bem, vou tentar explicar o meu ponto de vista nas linhas a seguir.

Se você não assistiu ao filme ainda, deixa eu lhe contar a sinopse da história. Arthur Fleck é um homem com problemas psicológicos e que a única pessoa que tem ao seu lado é sua mãe, que tem alguma espécie de vínculo com seu antigo patrão, Thoman Wayne. Porém, ele vê este mundo ruir, pouco a pouco, enquanto perde todo o resto de sanidade que tinha e descobre que sua vida é uma grande comédia (palavras dele).

Contar mais sobre o filme é entregar bastante coisa sobre ele. Então, nas próximas linhas, tentarei expor minhas ideias sobre a história apresentada em Coringa sem revelar muita coisa sobre.

Arthur Fleck ou apenas mais uma história do Coringa?

Já não é de hoje que o Coringa tem várias histórias sobre sua origem. Algumas tão fantasiosas que chegam a ser ilárias. Outras, que de tão “pé no chão”, chegam a ser críveis. Só em Cavaleiro das Trevas, para se ter uma ideia, o Coringa de Heath Ledger conta três origens diferentes. Então, para o personagem, inventar mais uma origem não parece tão difícil. E vários pontos deste filme deixam pistas que podem provar que esta é apenas mais uma história que Conriga inventou. Mas também é crível o bastante para não ser nada disso.

A cada minuto acompanhando Arthur, vamos tendo cada vez mais compaixão pelo personagem. Sua vida É triste. O mundo a volta dele de fato não parece dar a mínima para sua existência, enquanto ele tenta equilibrar uma fina camada de sensatez sob vários problemas emocionais e psicológicos.

Mas o problema está aí. Seria apenas o Coringa brincando conosco, com nossos sentimentos de espectador? Ele tem talento pra isso – Perguntem para a Arlequina!

Uma Gothan muito real – mas não é o foco

A história, como deveria ser, se passa em Gothan. Aliás, a cidade nos cinemas nunca ficou tão Nova Iorque como neste filme. A ambientação é totalmente NY dos anos 1970, apesar de obviamente não levar o nome original.

Mas, ao contrário que os filmes de Batman fazem, neste filme a cidade não se torna um personagem. Ela é útil para a narrativa, mas Gothan de per si não importa tanto.

Asilo Arkhan até aparece, mas seu nome nunca é pronunciado como tal. E, como a história se passa antes da existência do Batman, não importa tanto assim a localização da polícia – onde teria o Bat-sinal.

É um filme de quadrinhos, mas luta constantemente para não ser

Uma das principais críticas na época do lançamento, foi que o filme em si não parecia tentar ser um filme de quadrinhos. Aliás, o tempo todo esta atmosfera alheia aos quadrinhos era sentida. Como muitos diziam, a história parecia ter sido escrita para qualquer outro personagem. Só calhou de mudar o nome do protagonista para “Coringa” e voilá.

Para mim, um dos maiores trunfos de Coringa é ser um filme de “quadrinhos” onde a história principal não é sobre super-heróis salvando o mundo (de novo)

Talvez isso tenha funcionado bastante, neste caso. Não ser um filme de super-herói proporcionou uma liberdade maior para o longa. Você facilmente esquece que está assistindo a uma história de origem para o Coringa, um dos maiores vilões dos quadrinhos. Apenas vê a história de Arthur Fleck, e pode até não notar a presença do próprio Bruce Wayne, ainda criança – embora isso não pareça importar ao roteiro, mesmo que na segunda aparição de Bruce, na história, seja o ponto de partida para o próprio Batman.


Coringa foi um sopro de novos ares em um universo já saturado de super-heróis. Depois de tantos filmes mostrando a vida de supers da Marvel de da DC, chegar um filme despretensioso, de estudo de personagem, de um vilão e que por ventura é inspirado em quadrinhos, foi extremamente prazeroso de assistir. Apesar das cenas desconfortáveis e da comédia não-intencional que o filme traz. E sim, estou falando da cena da porta.

O filme está disponível para aluguel digital no Google Play Filmes/YouTube e no Looke.