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Laranja Mecânica – O livro é ainda mais chocante

A Laranja Mecânica de Hitchcock é forte, mas o livro consegue superar, entregando cenas ainda mais violentas que as mostradas nas telas.

Faz algum tempo, que eu tive contato com o filme Laranja Mecânica. Fiquei fascinado com aquela história, mas todo esse papo sobre o filme ficará para outro momento. Pois, pouco depois de ver o filme, me pegou a ideia de ler o livro. Ver quais eram as diferenças, como ele poderia ser ainda mais impactante. E, dica, é muito mais. Vem comigo, deixa eu contar um pouco sobre o livro de Anthony Burgess!

O livro acontece numa Londres de um futuro distópico, onde homens vivem a trabalhar e a juventude procura prazer no pior que o ser humano pode fazer. Alex é um destes jovens. Ele é um gangster que, junto de sua trupe, procura por baderna e desordem nas noites da capital inglesa.

A triste Londres de Burgess

A cidade pintada pelo autor é triste. Na visão que temos dela, pelo ponto de vista do narrador, você só tem a opção de ser um assalariado, onde tudo o que fará da vida é robotar e robotar, dia após dia. O narrador, que é Alex e que conta a história toda sob sua visão distorcida de mundo, vendo-se melhor que isso, prefere manter-se a fazer suas maldades diárias, com a desculpa de estar trabalhando. Pelo menos, é o que seus pais pensam sobre sua vida noturna. Nas palavras dele, “Nunca peço dinheiro, peço? Nem dinheiro para roupas nem para prazeres. (…) então para que perguntar?

Alex, em si, não é alguém a quem deve-se ter pena. E que tão pouco deve-se acreditar piamente no que diz. Suas incursões, no livro, nos mostra uma pessoa fria, que não tem o menor valor pela vida alheia, e apenas lhe interessa o seu próprio prazer – vindo do sofrimento dos outros. Isso fica claro quando o próprio narrador mostra-se um adolescente completamente problemático, que tem maldade como parte do seu ser. Por exemplo, há um trecho sobre como Alex leva duas meninas de 10 anos de idade até a sua casa, as droga e as estupra, mas isso é só um exemplo das maldades do narrador, quando adolescente. E, mesmo depois que o Estado o “conserta”, Alex continua irreparável, pois é de sua natureza ser assim.

O ponto de virada de Alex

Na segunda parte de Laranja Mecânica, temos o ponto de virada na vida de Alex. Nela, vemos um governo que tem muitos problemas com os criminosos. Uma solução para isso, foi a criação de um “programa de tratamento”. Na verdade, lavagem cerebral governamental. E isso não passa de um meio barato e rápido de desafogar presídios. Não se preocupa em tornar o criminoso um cidadão novamente, mas sim em dar-lhe travas ao seu ímpeto de fazer maldades. Alex passa por este tratamento, e tem construído em si uma versão mais calma de Alex, um Alex “engessado” e que soa falso, onde ele se assemelha a um cidadão comum.

Ao final, na terceira parte do livro, temos ele já curado da lavagem, mas com seus atos totalmente alterados do Alex que conhecemos na primeira parte. Teria o governo conseguido corrompê-lo ou esta teria sido uma evolução que veio com a idade? Fica apenas a questão sobre o que aconteceu à mente de Alex, ao final de uma montanha-russa em sua vida adolescente.


Eu não contei, acima, mas a leitura vale muito a pena, mesmo se você já viu o filme. Apesar da Laranja Mecânica de Hitchcock ser magnífica, ela tem uma falha: É baseada na versão americana do livro, que excluí o último capítulo da obra original. Este último capítulo, dá uma visão melhor sobre o personagem principal, pois mostra uma evolução natural em si. Mas, só lendo para saber.

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