Séries e TV

Mr. Robot é a melhor série dos anos 2010

Todos falam que a melhor série da televisão americana, nos anos 2010, foi GoT. Eu tenho a certeza que esse título pertence, de fato, a Mr. Robot.

O ano era 2015. Estava prestes a começar uma nova série, sobre um hacker que iria usar das suas habilidades para destruir o mundo onde vivemos, apenas para criar uma nova realidade muito melhor para todos nós. Agora, o ano é 2020. Passado algum tempo depois do último episódio da série ser transmitido na televisão americana, eu finalmente o vejo. E tenho a certeza de que nada daquilo era importante. Não era uma série sobre um hacker e suas proezas frente a um gigantesco conglomerado. Mr. Robot era uma série sobre uma pessoa. Ou suas personalidades.

Explicar o que foi Mr. Robot é uma tarefa das mais complicadas. Podemos dizer que seguimos a vida de Elliot Alderson (Rami Malek), um homem com habilidades hacker extremamente avançadas que as usa para derrubar o maior conglomerado da terra, a E-Corp (ou, como vemos na visão de Elliot, Evil-Corp). Usa da ajuda de um grupo secreto chamado Dark Army, que facilita alguns de seus hacks para conseguir derrubar a tão poderosa inimiga. Mas também seria correto dizer que a série não é sobre isso.

MR. ROBOT — “eps2.0_unm4sk%u2010pt1.tc” Episode 201 — Pictured: Martin Wallström as Tyrell Wellick — (Photo by: Peter Kramer/USA Network)

Eu poderia criar um texto para cada uma das temporadas de Mr. Robot, mas isso me tomaria tempo. Não só para conseguir me lembrar de todos os detalhes, mas também porque seria necessário que eu revisse toda a série – e isso me demandaria muitas horas. Vou me ater aos principais pontos das suas quatro temporadas.

Dúvidas e mais dúvidas

Primeiramente, se você gosta de uma história mastigada, que entrega início, meio e fim… Bem, Mr. Robot definitivamente não é para você. Em vários momentos, somos deixados com pulgas atrás da orelha, que a série nunca mais pensa em retomar para explicar a razão de ser daquele elemento.

Personagens morrem, organizações inteiras desaparecem, tudo sem explicar o sentido de seu desaparecimento. Talvez isso fique escancarado com a dúvida que a série gera sobre o destino de Tyrel Wellick, que tem um final triunfante na série, mas que por si só não tem sentido algum.

MR. ROBOT — “eps2.0_unm4sk%u2010pt1.tc” Episode 201 — Pictured: Martin Wallström as Tyrell Wellick — (Photo by: Peter Kramer/USA Network)

Triunfos

Além disso, grande parte da fama da série, logo na primeira temporada, foi ter mostrado hackers “hackeando” de fato, em uma obra audiovisual. Não eram telas piscando o tempo todo, num monitor de tela preta e letras verdes. Era algo mais próximo da realidade, com um sistema Linux, que você pode usar agora, rodando num notebook que pode pode comprar – se tiver o dinheiro, claro – com um terminal aberto e rodando códigos compreensíveis. Não aquela besteira que podemos ver em Hackers (1995).

Um outro ponto, porém, é sobre a personalidade de Mr. Robot. Uma cópia do seu próprio pai falecido, temos muito pouco sobre ele, nas primeiras temporadas. Só temos um vislumbre de quem ele realmente é na última temporada. Além de vir a totalidade de toda a verdade sobre quem é Mr. Robot, e até mesmo de quem realmente é o Elliot Alderson que vemos durante toda a série.

Comentar mais sobre a questão das personalidades seria péssimo, para quem nunca assistiu a série e que agora se interessou por ela. O que posso dizer sobre ela é: Todos falam que a melhor série da televisão americana, nos anos 2010, foi Game of Thrones. Tendo em vista toda a série de Mr. Robot, e relevando a fraca segunda temporada frente as maravilhosas primeira, terceira e quarta temporadas, posso dizer que Mr. Robot sim, merece o título de melhor série da última década.